Meu estoicismo não pode me defender

Não sou uma pessoa apaixonada. Não sou uma pessoa entusiasmada. Não há nada que eu sonhe realizar na vida. Eu só vivo. E não sou boa com projeções, só com a realidade.

Na minha cabeça estóica, viver tratava-se só de aceitar os fatos. Ou um dia eu vou engravidar, daí vejo o que faço, ou não vou engravidar nunca, e tudo bem também. Ok, 20% das gestações terminam em abortos naturais, mas eu nem cogitava isso. Não por excesso de otimismo – não trabalhamos – mas por que me parecia que só havia essas duas possibilidades. Eu aceito as possibilidades, meu controle limitado sobre elas, e todo o sofrimento se torna fútil, certo?

Mas a terceira possibilidade, a não prevista, era o limbo. Engravidar, tomar o susto, aceitar, ouvir corações batendo, e começar a fazer planos. Não sonhos, previsões, mas planos concretos de alguém que daqui há 3 semanas não vai conseguir entrar nas próprias calças. De alguém que saiu da primeira consulta médica com a indicação pra comprar meia de compressão pras varizes. Ou seja, lista de tarefas, não projeções. E depois de tudo isso, olha lá, cabou, não tem mais.

Fracassei no estoicismo, porque comecei a fazer planos e não só a aceitar os fatos. Segundo o google, “No results found for “grávida estóica’”. Eu bem que tentei.

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